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Neste início de ano tenho notado algo de estranho em Portugal. Os portugueses nem sempre dedicam muita atenção e entusiasmo aos cumprimentos e saudações formais e informais entre desconhecidos – por exemplo, nem sempre se diz “bom dia” quando se entra numa loja, e, nos pequenos centros urbanos, já quase ninguém cumprimenta desconhecidos que passam pelo seu bairro. Não significa que sejamos “mal-educados”, mas comparativamente com outros povos ficamos um bocado aquém da etiqueta do dia-a-dia, o que é um pouco estranho pois até somos um povo aberto, caloroso, amistoso e que sabe receber. Apesar disso, costumamos, pelo menos nos primeiros dias de um novo ano, aquando dos nossos formais ou informais cumprimentos, fazer votos e desejar “um bom ano” ao nosso interlocutor. Parece, no entanto, que nestes inícios de 2012 as pessoas estão ainda mais reticentes em fazer esses votos. Parece que para muitos é quase ofensivo ser demasiado otimista nas felicitações de “ano novo”. Isso parece-me preocupante, pois revela indícios de uma psicologia negativista nefasta que leva a abdicar do que nos pode fazer superar este ano 2012, que se avizinha difícil. Seguramente que as dificuldades económicas e financeiras virão, seguramente que o Estado terá menos condições para nos aliviar e auxiliar naquilo que deveriam ser as suas funções, seguramente que continuará a ser difícil encontrar emprego, seguramente que a pobreza e desigualdades sociais continuarão a crescer. Por tudo isso, há que não baixar os braços e o otimismo ativo passa a ser cada vez mais uma necessidade imperativa!

  Para além dos cumprimentos, até nos nossos noticiários e serviços de informação reina o pessimismo e o espirito catastrofista. Por exemplo, ao compararmos os noticiários portugueses com os franceses ficamos chocados. Por cá os nossos duram o dobro do tempo e estão repletos de notícias catastróficas – e, quando as nacionais não chegam, procuram-se no estrangeiro. Não me parece que a culpa seja dos jornalistas, parece-me mais que é também aqui o funcionamento descontrolado do mercado da informação em ação. O negativismo está demasiado bem cotado nos Mass Media como fonte de audiência, erradamente a meu ver pois todos estamos já fartos dessas abordagens! São cada vez mais os que desligam as televisões… Precisamos de inovar no modo como se transmite a informação. Todos temos de fazer o nosso papel, por isso ficamos também à espera que os Media possam continuar a informar-nos mas optando por uma maior ênfase otimista na transmissão da notícia.

   Já é velho o ditado “tristezas não pagam dívidas”, já o otimismo se não o tentarmos nunca saberemos se servirá ou contribuirá para minimizar os nosso problemas. Não podemos abdicar do que melhor nos resta: a esperança de dias melhores! Se não tentarmos ser otimistas, ainda que realistas e conscientes, não poderemos tirar o melhor partido do que poderá vir neste ano de 2012. Pois, tudo na vida tem sempre um lado positivo e por vezes as crises trazem também oportunidades!
 

Tags: Motivação, Otimismo, Positivo

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Respostas a este tópico

Olá Micael,

 

Muito obrigada pelo seu texto e pelo angulo de leitura e reflexão que nos propõe.

 

Vou acrescentar que o optimismo é alimentado pela pratica. 

É preciso fazer, agir, pois é o resultado das nossas acções que em parte contribui para alimentar o reservatorio de optimismo. Caso contrario, estamos no dominio do la-la-land em que basta pensar positivo para acontecer positivo. Não. Nessa afirmação simplista e perigosamente leviana, falta o trabalho, falta fazer.

Tenha um dia feliz

catarina :)

Sem dúvida. Optimismo sem vontade para contribuir para darmos um pouco de nós por uma atitude mais positiva penso ser ingenuidade. Seguramente que o positivo não vem do 0 vem do +! Vem de querer acrescentar um + positivo!

Olá Micael,

Gostei do seu artigo e partilhei com os meus colegas de trabalho, que são investigadores, esta sua mensagem de simpatia e otimismo, que não custam um tostão aos cidadãos de um país em crise! Acresceitei a seguinte experiência, que espero que seja interessante também para si e os seus leitores.

Nos meus primeiros tempos nos Estados Unidos, fui viver para uma pequena ilha, Bertrand's Island (que na verdade, era uma pequena península), no maior lago de Nova Jérsia, Lake Hopatcong. A ilha era habitada por poucos habitantes durante todo o ano (talvez cerca de 20 famílias). Era uma ilha bastante conhecida pelo seu histórico clube de iate (onde se chegaram a realizar edições da Miss America). Mas a verdadeira movimentação começava a partir do feriado da Independência, a 4 de Julho, marcando o início oficial da estação de veraneio. Durante esse período, chegavam com frequência os nova-iorquinos, que tinham as suas casas ou mansões à beira do lago. Tínhamos uma Golden Retriever, a Dreidel, que eu religiosamente passeava todos os dias, até mesmo por vezes por cima do lago gelado :). Pelo caminho, sempre encontrava outros donos com os seus cães a passearem-se pela beira do lago. As pessoas aproximavam-se de mim, cumprimentavam-me e trocavam meia-dúzia de palavras acerca do tempo, dos cães ou do lago. Acabada de vir de Lisboa, onde ninguém cumprimenta ninguém, achava aquela simpatia estranha, de tal forma que, tratando-se de um meio pequeno, no início cheguei a perguntar ao meu marido (pessoa reservadíssima, mas que já lá vivia há algum tempo) se tinha dito a alguns dos vizinhos que eu era a sua recém-esposa, vinda de outro continente :). Qual foi o meu espanto quando ele respondeu: "mas, eu não conheço nenhum dos meus vizinhos!" :)
Com tantos anos de Estados Unidos, mesmo em Nova-Iorque, habituei-me a falar com desconhecidos com a maior naturalidade. Este artigo veio-me despertar essa agradável sensação que é a de receber um cumprimento ou um sorriso de uma pessoa que não se conhece. É um bocado triste ver que cá em Portugal, na mesma pequena aldeia, ou na cidade numa mesma rua e até no mesmo prédio, as pessoas não se cumprimentam umas às outras, como se passássemos por meros objetos. Sempre que entro num elevador, até mesmo aqui num dos mais prestigiados centro de investigação da capital, e ainda com os hábitos adquiridos lá fora, cumprimento alguém com que não trabalho diariamente, sinto uma certa reação de reserva e dificuldade na retribuição do cumprimento. Se temos tanta dificuldade em dizer um simples bom-dia a alguém que sobe connosco no mesmo elevador, ou trabalha na sala ao lado, como é que podemos dirigirmo-nos às pessoas e propormos colaborações e uma investigação menos fechada? O enfrentar a crise não passará também por nos abrirmos um pouco em relação aos outros?

Cumprimentos,
Anabela Barreiro.

Realmente é preciso sair do nosso meio para ver como o mundo pode ser diferente. A primeira reacção que tive quando liguei pela primeira vez um noticiário em Portugal foi desligar lodo de imediato. Tanto pessimismo saia por aquele aparelho. Distante dele de facto não sentido a vida tão negra!

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